
A EOS – Associação de Estudos, Cooperação e Desenvolvimento está a desenvolver o projeto “OnlyFans e a nova face da exploração sexual das mulheres” que visa conscientizar para as novas formas de violência e exploração sexual online, através da análise crítica feminista sobre a objetificação e a comodificação das mulheres.
Perspetiva-se ser um contributo para desvendar as relações entre uma sociedade capitalista centrada no indivíduo e na monetização de todas as dimensões humanas (e ambientais) e a exploração sexual e económica das mulheres, tendo presente a desregulamentação das grandes plataformas online e o debate em torno do Regulamento dos Serviços Digitais e da Diretiva Europeia relativa ao combate à violência contra as mulheres.
Nos últimos anos, plataformas de monetização de conteúdos íntimos, nomeadamente o OnlyFans, ganharam grande visibilidade social. Frequentemente apresentadas como oportunidades de autonomia económica, estas plataformas levantam, porém, questões críticas relacionadas com assédio, pressão económica, controlo por terceiros e exposição à violência sexual online, sobretudo entre jovens mulheres.
O projeto parte de uma análise crítica feminista e insere-se no quadro mais amplo da violência contra as mulheres, incluindo pornografia, prostituição e tráfico para exploração sexual
Objetivos
A iniciativa tem quatro objetivos centrais:
- Conscientizar para novas formas de violência e exploração sexual online;
- Fomentar análise crítica feminista sobre a objetificação e comodificação do corpo das mulheres;
- Desvendar as relações entre uma sociedade capitalista centrada no indivíduo e na monetização de todas as dimensões humanas (e ambientais) e a exploração sexual e económica das mulheres;
- Enquadrar o Only Fans no debate mais alargado da (des)regulamentação das grandes plataformas online.
Duração, público e âmbito
O projeto decorre entre dezembro de 2025 e dezembro de 2026 e dirige-se especialmente a:
- jovens (em particular estudantes do ensino superior);
- associações de mulheres;
- decisoras e decisores de política.
Tem um âmbito local (Lisboa), nacional e europeu, contribuindo para o debate sobre a regulamentação das plataformas digitais e o combate à violência contra as mulheres e as raparigas.
Parcerias
O projeto é desenvolvido em parceria com:
- Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres – apoio técnico, elaboração de recomendações políticas e dinamização de atividades.
- Coletivo Feminista da Faculdade de Direito da Universidade do Porto – mobilização de estudantes e contributo jurídico.
A articulação com organizações feministas e comunidade académica garante simultaneamente rigor científico, participação jovem e impacto político.
Financiamento
O projeto é apoiado no âmbito do apoio técnico e financeiro às organizações não-governamentais de mulheres, previsto na legislação portuguesa aplicável às associações de mulheres, atribuído pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género.
Principais atividades
O projeto estrutura-se em quatro áreas principais:
Investigação e produção de conhecimento
Publicação da dissertação de mestrado de Mariana Branco, intitulada provisoriamente “Dos filmes pornográficos ao OnlyFans: Uma análise da Indústria do Sexo em Portugal” (NOVA FCSH – Mestrado em Estudos sobre as mulheres. As mulheres na Sociedade e na Cultura), tanto em formato impresso quanto online; e produção de três folhas informativas acessíveis ao público.
Ações de conscientização
Realização de cinco ações dirigidas a estudantes universitárias/os, promovendo a reflexão crítica sobre as dinâmicas de plataformas digitais como o OnlyFans, a sua relação com o continuum da violência masculina contra mulheres e raparigas, e a sociedade capitalista do consumo.
Campanha digital sobre a exploração sexual das raparigas e das mulheres através da plataforma OnlyFans
Campanha pública com conteúdos informativos e multimédia acerca da exploração sexual de mulheres e raparigas facilitada pela plataforma OnlyFans e outras dinâmicas digitais similares. Focada nos impactos, riscos e consequências dessa realidade, a campanha utilizará os recursos gerados pelo projeto, bem como as contribuições mais significativas ao longo da sua execução.
Evento final e recomendações
Organização de um evento público enquanto espaço de debate, partilha de aprendizagens e apresentação de recomendações para políticas públicas, reunindo partes interessadas chave, incluindo representantes da sociedade civil, decisoras e decisores de política, jovens e estudantes, organizações e coletivos feministas.
Enquadramento europeu
O projeto acompanha o debate europeu sobre a responsabilidade das plataformas digitais, nomeadamente através da implementação:
- do Regulamento (UE)2022/2065 sobre os Serviços Digitais da União Europeia;
- da Diretiva (UE) 2024/1385 relativa ao combate à violência contra as mulheres e à violência doméstica.
Pretende contribuir para respostas institucionais mais eficazes na prevenção da ciberviolência sexual.
Resultados esperados
Principais resultados esperados:
- maior consciencialização social sobre violência sexual online;
- jovens mais informadas/os sobre riscos do espaço digital;
- produção de conhecimento crítico feminista;
- contributo para políticas públicas.